quinta-feira, 29 de julho de 2010

num coletivo de aceitação, Maude

Algumas coisas nos marcam com profundidade em nosso cotidiano, a observação nos locais coletivos é uma delas. Para algumas pessoas esse cotidiano passa sem marcas, em outros casos, a realidade pode transformar a vida de quem olha.
Num desses dias de olhar desperto, estava no Metro de Santiago, linha vermelha indo em direção ao Centro Histórico, quando uma senhora de uns setenta e poucos anos, entrou no vagão onde eu estava, todos os lugares estavam ocupados e eu inclusive estava sentada confortavelmente e já me preparando para levantar e ceder o lugar a ela, quando me olha muito esperta e sem falar nada deixou claro que não iria sentar-se. Estava com uma mala preta, ja bem desgastada, com as rodinhas. Se apoiou num canto acertou com muita agilidade a alça da mala e ali ficou, olhava tudo com um olhar infantil, muito atento. Tinha óculos de aros de acrílico, tradicionais e claros. levava uma espécie de boina de flores azuis muito miudinhas, um encanto. Olhava tudo curiosa, alegre, quase sorrindo, íamos com nossos pensamentos e eu a olhava com interesse delicado, quando se virou e sorriu graciosamente! Nessa hora essa senhora passou a ter seus vinte e tantos anos, me iluminei, aquecida por dentro com sua ligeireza jovial, de alma. Encantada com a vida!
Soou a campainha, outra estação chegando, abrem-se as portas e muitas pessoas entram, outras saem e uma delas nos chamou a atenção, a mim e a minha companheira de olhares à vida: uma outra senhora de seus cincoenta e poucos anos, de roupas escuras, cabelos rígidos, sapatos de irmandade católica, com uma aliança na mão esquerda, brincos discretos. olheiras opacas, uma bolsa bem cuidada, sentou-se perto de mim, colocou a bolsa sobre suas pernas na posição primeira dama, aquilo de trançar os pés e coloca-los de ladinho. Coisas de discrição.
Seu olhar vago para com tudo e com todos era dolorido de se observar. Parecia morta em vida, imaginei que algum luto ou desespero que poderia ter passado, algo de depressão por doença, ou simplesmente porque estava morta pra vida, aparentava nessa hora uma idade acima de oitenta anos.
Me solidarizei com a senhora B, mas definitivamente a senhora A tinha lido meus pensamentos, me olhava e olhava a outra senhora da mesma forma curiosa que eu. Trocamos olhares, abaixando nossas cabeças, com um certo medo de que descobrissem nossa sintonia. Como que agradecendo por já termos descoberto um dos segredos da vida.
O mundo corria rápido ali fora, mas nós viajávamos no nosso tempo dentro do vagão.
Um tempo senhor de si e de nossas idades, estacionamos na idade da curiosidade entusiasmada com a vida!
Minha estação foi sinalizada. A senhora A, ainda perdida em seus calçados polidos, nem se movimentava. Levantei-me, arrumei a mochila nas costas, levantei o queixo e sorri o melhor dos sorrisos que poderia ofertar à senhora B, que à partir de agora chamarei de Maude!
Acesse:http://www.youtube.com/watch?v=sTPPWfHrYRw&feature=fvsr
Ela sorriu, com as mãos, tocamos ao mesmo tempo o coração! a porta se abriu pra realidade e lá fui eu, transformada.
Num dia, onde tempo e espaço inexistiram, pelo menos para nós.



Desse momento em diante, resolvi praticar um exercício, o de ampliar minha tolerancia, compreender ainda mais ao próximo, aceitar ao outro como ele é, pois tudo é virtude. É um exercício difícil, muto difícil, mas tem sido meu novo aprendizado.

De Chile, Elaine

saudades de um instante de eternidade




Pois não é que tudo que é muito bom, pode ficar melhor, mas pode durar pouco...
Já estamos de volta ao Brasil e a saudades de um tempo e de um momento vivido às vezes nos consome por dias, às vezes ao relembrarmos de algo, aquilo volta forte, por horas ou até pequenos minutos. Revejo as fotos de um desses momentos e me emociono.
Podemos pensar tantas coisas na vida, mas uma delas que sempre evidencio em minhas reflexões é a arte da gratidão, seja ao que ou quem for, quando temos essa possibilidade, nosso poder sobre nossa Vida amplia uma barbaridade.

Tenho tanto que agradecer diariamente, que não teria espaço nas horas para tanto, mas mesmo assim, é importante marcarmos isso em nossos dias. Pelo menos assim penso!

Quando me deparei com a beleza de uma natureza que até pode ser cruel, me rendi, como se rende a uma nova descoberta e isso nos penetra, toma conta de nossa natureza humana e de alguma forma, seja pela beleza ou pelo Reconhecimento deste algo mais, fui tomada  por um dos aspectos humanos mais importantes, a  divindade. Nessa hora, vemos o Criador em suas maiores manifestações, vemos a luz poderosa e intensa e cada detalhe adentra, intenso e hermético, explode em nossa vivência e saímos transformados.

Na neve, a luz reflete e se torna cada vez mais grandiosa, assim como a Criação.
Que mais manifestar, a não ser a mais profunda gratidão!






El Colorado e Farellones de Chile, Elaine

quinta-feira, 22 de julho de 2010

momento mulher

(De Sonia Kock )

"Los Dominicos" um povoado para se conhecer

E aqui vamos nós...
Acrescentando à mochila, gel com alcool, lenços de papel, óculos de sol, descongestionante nasal, desço para o metrô e sigo para a última estação dessa linha, a vermelha em Los Dominicos.

Um pueblo, que vem de tempos atrás, o terreno como na maioria dos terrenos para igrejas e conventos, foi por doação de particulares e de ano para ano e nesse caso de século psra século o patrimonio cresceu, cresceu....com isso além da Igreja e do Convento, temos a área para o Centro Artesanal de Los Dominicos.
Fica no bairro de Las Condes,  fácil acesso e bem monitorado pela segurança da cidade, que depois merece um capítulo à parte! A saída do metro Los Dominicos é no Parque que dá acesso ao Centro Artesanal, em dias de sol é uma coisa, o céu azul, a cordilheira:

Há além dessa beleza, um ar rústico, que nos lembra um pouco, só um pouco, o Embú das Artes,  menos elaborado e mais acolhedor, o frio aqui é bem mais forte, pois estamos aos pés da Cordilheira, e sua aura polar no nosso encalço, o bom é que depois de andar ali dentro a gente tem acesso a uns Cafés com tudo pelando de caliente... chá e chocolate, seguido de alfajores (Panchito) ou media lunas (croissants) para ajudar a esquentar.  Existem alguns gatos no pedaço, são afáveis e bem cuidados. É algo coletivo na cidade, cães e gatos são aparentemente cuidados por todos. É comum ver porções de ração, ou pote com água nas ruas e na parte central da cidade um papelão limpo por bichos estarem em cima, curioso!!
Outro detalhe, nos parques que andei:
Um suporte com saquinhos plásticos biodegradáveis!! para colocar o pupu dos dogs, cidade que desenvolve cidadania é outra coisa. Se tiver que morar aqui acho que me adaptarei fácil. Mas continuando sobre o Pueblito:
é como um pequeno povoado, com mini lojas e cafés, rústicos, mas temos de tudo de jóias a móveis, passando por máscaras, couro, madeira entalhada, pintura em telas, composição com frutas, bordados, lã, alpaca, luvas, chapéus, bolsas, echarpes, xales, meias, uma infinidade de produtos e muito cobre, que é o forte deles para pequenas peças, assim como pedras, em especial o Lápis Lazuli.
Recomendo a vinda, reserve pelo menos 2 horas, para quem gosta de curtir e olhar tudo com profundidade, um pouco mais de tempo.

Um achado.
Para quem tiver tempo vale ver o trabalho dos artistas, quando abre o mapa há um quadradinho que pulsa tem algo a mais, vale ver.
De lá segui pela avenida que rodeia o parque, parando obviamente pra contemplar por uns instantes a beleza que toca o céu:



Cruzo este parque caminhando e ando aproximadamente uns 12 quarteirões até o Shopping Alto de las Condes, mais sofisticado, uma boa opção para compras em geral, tem um aloja chamada Casas y Ideas... ai que perdição!! Segue link:  http://www.casaideas.com/cl/index.html uma fofurinha de lugar pra comprar presentes e coisinhas, a parte infantil é uma coisa !! O dia frio foi preenchido por descobertas, novos caminhos e outras tantas possibilidades, já estou com saudades dessa Terra.

De Chile, Elaine

terça-feira, 20 de julho de 2010

uma história, um museu, uma observação

Hoje saí em meio à manhã, pois o frio estava aterrador, café da manhã tomado, agasalhos, casaco, orejeras (tampa orelhas), meu check list diário (máquina fotográfica, toalhas úmidas, uma fruta, uma barrinha de ceral light, uma botelha de água, um xale de tecido de lã, caneta, caderneta de anotações, endereço do hotel, celular carregado y a carteira, que contém documento e dinheiro chileno, creme hidratante com filtro solar e labial, colírio, lenços de papel e spray de própolis) mochila feita, fui em direção à estação Tabalaba, em direção à Baquedano, onde fazemos a troca para a linha verde, tudo simples e bem indicado, na linha verde desci em Quinta Normal para visitar ao Museo de la Memoria y los Derechos Humanos.
O passeio era programado, mas como prometi a uma amiga do Brasil, Carina, que iria visitá-lo, pois ela e seu trabalho estão contidos ali no Museo, fizeram a maquete antes de sua construção, vim hoje.
O Museu é lindo em si, leve apesar do tamanho e acolhedor apesar da frieza dos materiais utilizados em sua construção. Mais de 90 por cento interditado, pois depois dos terremotos, muitos deles estão em reforma ou em restauro. Uma perda pra cidade por certo. Mas do que pude ver, me agradou profundamente, o tema é pesado, resgata a memória do povo Chileno e todas as agruras pelas quais passaram, citam outros grandes espaços onde resgatam a humanidade através de fotos e relatos. Há fotos de passeatas em São Paulo - contra a violencia! curioso. Acesse: http://www.museodelamemoria.cl

Em outra pequena parte que pude estar, citam os memoriais em cada lugar do Chile, lembrando vítimas, artistas, pessoas da terra que lutaram pelos Direitos Humanos. Tem um grande painel sobre isso e uma exposição permanente.
Enfim, me faltam as salas principais e espero que numa próxima oportunidade, eu possa visitá-las e complementar meu relato. Sentei-me do lado de fora e comi minha barrinha de cerais, o frio acaba com nossa reserva de energias e já se fazia insuportável,  resolvi voltar.
Caminhei pelo lado externo e aproveitei pra fotografar seus contornos. É grande.
Retomei meu caminho, baixei para a estação de metrô e me pus a fazer o que sempre faço, observar.
Adorei saber que eles tem aqui uma BIBLIOMETRÔ:

Você se inscreve, paga uma taxa, e tem direito a utilizar os livros do quiosque que há em algumas estações. Fiquei encantada, se vier morar aqui, me tornarei associada.E não pensem que é elitizado, pelo contrário, vi senhoras amas del hogar (donas de casa), jovens e pessoal de idade madura retirando e devolvendo os livros. Cultura num povo é a base, ai que inveja!
Na volta, no vagão, vi gente de toda idade, são menos sorridentes que os brasileiros, mas percebe-se afetuosos pelos olhares, são desconfiados, porém não armados, a postura física é menos defensiva e mais tranquilos pra andarem e sairem dos vagões, não existe empurra empurra, pelo menos nos  dias que utilizei essa via de transporte, não vi nada que me chamasse a atenção nesse sentido. Um aprendizado enorme para mim.

São polidos, educados e reverentes. Sinto que cada um cumpre sua função com presteza e cordialidade. Não há aquela intimidade "forçada" que o brasileiro às vezes tem. Aliás aqui está na alta temporada de brasilidade, são ruidosos, são espaçosos, somos nós, os brasileiros. Às vezes sinto até uma certa vergonha, pois me identifico muito com essa formalidade dos Chilenos e é como se invadissem a praia deles aqui, mas vão e vem a cada semana, portanto o ritmo é bem vindo a cidade. Mas confesso que nem sempre é fácil ver a frivolidade atuando em agudo portugues.

Chegando  ao meu destino, regresso ao hotel sob um forte vento, termino de ler meu livro do Neil Gaiman  e desço pro almoço às 14:30hs, o chef hoje estava inspirado, nesse hotel tem uma cozinha muito acima da média, e chilenos marcam seus almoços de negócio aqui, um outro mundo de aprendizado.

Almocei muito bem, tomei meu té verde e  hoje não sairei mais, o frio intenso me pede instrospecção e venho escrever pros amigos. O que nem sempre é fácil, pois sou alvo de expectativas...rs ...


Mas adoro contar o que vejo, é uma forma de como Vinícius diz: não morrer é ter os amigos perto, foi a forma que achei de trazer vocês comigo. Tenho miles de histórias para contar, mas não vou saturá-los.

Atualizarei minhas redes sociais e amanhã vamos a Los Dominicos (de metrô, até o pueblito afuera de la ciudad), espaço de oficinas e lojas de artesanato.

De Chile, Elaine

segunda-feira, 19 de julho de 2010

"La Chascona" de Neruda


("La Chascona" - por Elaine)




A segunda casa de Pablo Neruda em Santiago, nascido em 12 de julho de 1904, como Ricardo Eliécer Neftalí Reyes Basoalto, o grande poeta construia as casa como se fossem para jogar, como um brinquedo para crianças, e todas deveriam ter a ligação profunda com o mar, seja em sua arquitetura, como sua localização ou ainda em seu milhares de detalhes. Essa casa foi restaurada por Matilde sua segunda esposa, após a serie de danos causada pela invasão dos militares. A casa fala, tem segredos e delícias que a poesia narra aos olhos e ouvidos atentos. Quase se pode tocar em sua aura. Tudo está tao bem cuidado.
Há obras de muitos artistas inclusive brasileiros. Há fotos dele com Vinícius de Moraes e Jorge Amado, no Rio e na Bahia.
Algo que nos preenche a alma, pelo Respeito à  sua obra! à sua memória, emociona!

A fundação Pablo Neruda se encarrega de cuidar desse patrimonio, carinhosamente. Todas as perguntas foram respondidas de imediato, pelo nosso Guia Mario. Demonstrando esse carinho ao vivo, o seu prazer em narrar detalhes era percebido pelo brilho no olhar e nas pausas cuidadas para nos impressionar com sua fala mansa. Uma alegria esse dia.

Para mais acesse:  www.fundacionneruda.org 


De Chile, Elaine

"La Sebastiana" de Neruda

Que alegria!! uma vontade satisfeita:
à tempos tenho desejos de conhecer a Casa do poeta, escritor e ser pensante: Pablo Neruda, mas nunca havia tido oportunidade e agora que posso vou conhecer duas delas!!!

"La Sebastiana" que fica em Valparaíso, uma cidade portuária muito encantadora, que nos lembra cidades praianas, com toque de Minas e Paranapiacaba. Estava muito ansiosa pra ver de perto onde ele vivia e sentir um pouco dessa energia de tempos criativos, verdadeiramente criativos!

Posto um poema dele em homenagem a casa:




A ''LA SEBASTIANA''



Pablo Neruda






YO construí la casa.




La hice primero de aire.



Luego subí en el aire la bandera



y la dejé colgada



del firmamento, de la estrella, de



la claridad y de la oscuridad.




Cemento, hierro, vidrio,



eran la fábula,



valían más que el trigo y como el oro,



había que buscar y que vender,



y así llegó un camión:



bajaron sacos



y más sacos,



la torre se agarró a la tierra dura



-pero, no basta, dijo el constructor,



falta cemento, vidrio, fierro, puertas-,



y no dormí en la noche.




Pero crecía,



crecían las ventanas



y con poco,



con pegarle al papel y trabajar



y arremeterle con rodilla y hombro



iba a crecer hasta llegar a ser,



hasta poder mirar por la ventana,



y parecía que con tanto saco



pudiera tener techo y subiría



y se agarrara, al fin, de la bandera



que aún colgaba del cielo sus colores.




Me dediqué a las puertas más baratas,



a las que habían muerto



y habían sido echadas de sus casas,



puertas sin muro, rotas,



amontonadas en demoliciones,



puertas ya sin memoria,



sin recuerdo de llave,



y yo dije: "Venid



a mi, puertas perdidas:



os daré casa y muro



y mano que golpea,



oscilaréis de nuevo abriendo el alma,



custodiaréis el sueño de Matilde



con vuestras alas que volaron tanto."




Entonces la pintura



llegó también lamiendo las paredes,



las vistió de celeste y de rosado



para que se pusieran a bailar.



Así la torre baila,



cantan las escaleras y las puertas,



sube la casa hasta tocar el mástil,



pero falta dinero:



faltan clavos,



faltan aldabas, cerraduras, mármol.



Sin embargo, la casa



sigue subiendo



y algo pasa, un latido



circula en sus arterias:



es tal vez un serrucho que navega



como un pez en el agua de los sueños



o un martillo que pica



como alevoso cóndor carpintero



las tablas del pinar que pisaremos.




Algo pasa y la vida continúa.




La casa crece y habla,



se sostiene en sus pies,



tiene ropa colgada en un andamio,



y como por el mar la primavera



nadando como náyade marina



besa la arena de Valparaíso,




ya no pensemos más: ésta es la casa:




ya todo lo que falta será azul,




lo que ya necesita es florecer.




Y eso es trabajo de la primavera.




("La Sebastiana" - por Elaine)




De Chile, Elaine

"cosmos"

...apesar de antigo, de 2005,  esse poema é hoje, em especial para a Cinthia, por acreditar em sonhos e por independizar-se! boa sorte amiga!








grãos de areia do Pacífico......





Cosmos







Arroz em grãos




Torneados cilindros




Caminhos pro tosco




Alimento sagrado




Da terra, grão transformado










Estrelas brilhantes




Ano luz de distância




Elucida aos navegantes




As rotas distintas




Do céu, mapa marcado










Ambos desalojam certezas




O arroz e as estrelas




Do céu e da terra




Infinitas belezas




Néctar fecundo




do meu olhar sobre o mundo










Melhores são os seres que com os pés na Terra




Fixam os seus olhares pelo infinito do Céu...










Elaine




Direitos Autorais Reservados®

sábado, 17 de julho de 2010

em Santiago, um parque de esculturas

Mais um dia caminhando, mais um dia de surpresas, já havia conhecido o parque por fotos, mas nada como andar por lá, interagir com o parque e com as esculturas.

Uma alegria o local, além de lindo e muito bem cuidado o parque inspira o olhar, respira-se arte, arte da boa e ao redor se vê toda a cidade e sua arquitetura bem estruturada. A Av. Santa Maria se abre para o lúdico e meu coração transborda, é uma poderosa graça vivenciar essa cidade:













De Chile, Elaine


quinta-feira, 15 de julho de 2010

descobrindo Santiago

(Catedral Chilena - por Elaine)

Falo como quem caminhou uma vida, passei pela Catedral metropolitana do Chile, ubicada na plaza de las armas...bonita praça, jogos de xadrez (há um clube de ajedrez, formado por pessoas em geral da terceira idade, mas muito ativas) fiquei horas por ali vendo os jogos, quase entrei para jogar, mas vai ficar pra próxima vez, há gente tranquila que gosta de olhar, um sol quentinho que te aquece a alma pois o corpo gelado, nem sempre vai no ritmo da temperatura.
Frio, hoje começamos com um grau e subimos até os míseros 11 graus, mas já deu pra aquecer a alma ...a cidade é terna com seus passageiros. Além da sintonia com a Catedral, um ar silencioso gerou uma meditação espontanea, não sei se foi a aura do lugar ou o aroma do incenso de mirra... uma mudança de vibração concreta. Subi uns dois dedos e queimei uns dois carmas...rs, mas a paz veio profunda. Dentro da Igreja o altar ao Consagrado e Sacro Coração de Jesus, era puro dourado, me sentei e a sensação de Paz me invadiu, quase chorei, mas não quis dar vexame, mas o momento foi totalmente lírico, eu comigo e a terra que não é minha, mas que já me apaixona, as pessoas me olham, não sou daqui, mas assumo já minha adaptabilidade seja ao que for, o Chile me remexe a alma e volteia o coração. Creio que vou me adaptar a essas ondas de paz com facilidade.
De longe olho um rapaz que ficou por pelo menos o mesmo tempo que eu estive na Catedral, de joelhos com um terço de madeira nas mãos numa oração longa e muito intensa. Senti a fé brotando. Emociona ver a fé das pessoas se concretizando. Saí de lá melhor do que entrei.
Bendito cheiro de incenso, mirra leve e olorosa! Deu saudades das aulas de Yoga, das pessoas que tenho verdadeiro afeto, do chá da tarde da tia Angelina, de uns bate papos com amigos que já partiram.
Momentos day confort, invadem minha mente e chegando ao hotel depois desse frio atormentador e de caminhar quilometros, a banheira fervente me espera. Deitada, ouvindo um bom jazz, relembro o dia...


De Chile, Elaine

quarta-feira, 14 de julho de 2010

uma maçã, a sombra e os pecados

(Av.Vitacura - Santiago do Chile - por Elaine)


Dia frio, momento de parada e observação, depois de caminhar a manhã inteira por essa cidade mais que interessante, me permiti uma pausinha. Procuro sempre pausar e observar, em algum local que me transmita segurança e um certo aconchego e aqui é difícil escolher!
Caminhei em direção ao Museo de la Moda, pensando na Ivy, que ama moda e vive através disso, pensando em encontrar algo legal pra levar para ela, mas só achei o link e as fotos da área externa. Vejam mais, acesse:

A caminhada longa desde aqui do hotel foi um sucesso, recantos e aconchegos por Av. Vitacura, longa de verdade, com uma certa ansiedade pra ver o tal Museo... valeu, mas esperava mais!
No meio do caminho parei para comer uma maçã, coisas de dieta (aqui não tão rigorosa) mas necessária.
Achei esse banco, numa esquina da cidade, simples e acolhedor, um sol suave acalmava as ondas de frio que o corpo carregava à uma hora mais ou menos, a temperatura girando em torno de seis graus, utilizei as mais que fantásticas toalhinhas úmidas (santa invenção) e mandei ver na maçã, perto havia uma barraca de legumes e uma de flores, as pessoas passavam e olhavam, mas de forma sutil. Degustei a maçã, os olhares e a calma da avenida, que convenhamos é muito bonita. Na verdade é charmosinha, nesse banco a sombra da árvore me chamou a atenção e me lembrei de um amigo querido, o Alex, quase um jornalista,  um ser humano em formação bem encaminhado, desses que a gente gosta de ter por perto, às vezes nas nossas conversas parecemos metades, se bem que gostamos muito de maçã, mas isso não vem ao caso, o importante é que o nosso maior pecado é termos preferencia, sempre, bom gosto. Nesse momento, tive a certeza que ele iria adorar andar por essas ruas. Divaguei e quando me dei conta, a maçã estava só no caroço!
Voltei ao caminhar e ao museupensando comigo que numa próxima a gente vem junto.


Do Chile, Elaine.